Publicado por: protouro | 7 de Agosto de 2013

As Vítimas Colaterais da Negligência

O nosso blogue, tem como objectivo, denunciar a tauromaquia e o mundinho tauromáquico. No entanto, casos existem, em que não nos calaremos porque defendemos todos aqueles que não têm voz, ou seja  os animais não humanos.

Estamos fartos de péssimo jornalismo, porque esse tipo de jornalismo, influencia pessoas e essa influência quando deturpa a verdade tem consequências nefastas na opinião pública.

Um animal não humano chamado Zico, supostamente matou o Dinis, um animal humano.

A tragédia, foi de imediato aproveitada pelos órgãos de informação para vender. Não se preocuparam em investigar e tentar apurar o que realmente aconteceu, bem pelo contrário, julgaram, condenaram e emitiram o veredicto.

E o veredicto não deixa margem para dúvidas, o cão é um assassino, matou a criança à dentada, como afirmaram muitos jornalistas, mesmo sem saberem o resultado da autópsia. Julgamento em praça pública, tudo a bem da venda de jornais e sentença final condenação à morte.

Qualquer jornalista que se preze, deveria saber à partida, que um cão não pode ser considerado um assassino porque tal designação, somente se aplica a um ser humano que tira a vida a outro ser humano.

Qualquer jornalista que se preze, deveria ser isento e noticiar sem emitir opiniões pessoais, mas não, a nossa imprensa e uma grande maioria do povinho julga e condena mesmo sem provas.

Portugal, é um país de juízes, a julgar não só pelos jornalistas como pelos comentadores de notícias. Tribunais para quê?

Tirando raras excepções, todos julgaram e condenaram sem provas.

De todos eles, nenhum parou para pensar, que na realidade existem duas vítimas neste trágico acontecimento que não teria ocorrido se quem tinha o dever e a obrigação de zelar por ambos não se tivesse demitido de tal. São esses que se demitiram do seu dever e obrigação que são os verdadeiros culpados, são esses que têm que ser condenados. O Dinis e o Zico são as vítimas colaterais da negligência daqueles que tinham a obrigação de cuidar deles.

Um infelizmente morreu, o outro passou sete meses no corredor da morte, enclausurado numa cela de três metros quadrados, sem nunca passear ou ver a luz do dia.

Zico

Num país que foi o primeiro a abolir a pena de morte e onde até os criminosos mais perigosos têm direito a visitas e a passeios no recreio, esta situação só demonstra o profundo desprezo que os legisladores têm pelos animais não humanos.

Este caso e outros casos como este, não aconteceriam se certas pessoas tivessem a noção que o facto de trazer filhos ao mundo e ter animais implica responsabilidades.

Nesta trágica história, independemente do resultado do julgamento, não há uma vítima, mas sim duas, o Dinis e o Zico.

Repetimos, ambos foram vítimas do desleixo de quem tinha obrigação de cuidar e zelar por eles.

No entanto, é curioso verificar, que se bem que aos animais não sejam reconhecidos direitos, porque não têm deveres, depois se reconheça que os mesmos podem ser sujeitos de um acto (assassínio) que só um sujeito com direitos e deveres poderia praticar!!!!

Prótouro
Pelos touros em liberdade

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Responses

  1. Estou completamente de acordo com o artigo.

    Tenho pena é que a sociedade portuguesa e até mesmo a mundial esteja de tal maneira podre!!

  2. Infelizmente, uma grande parte de Portugal está muito formatado para aceitar tudo o que lhe é impingido pelos media. Há uma grande falta de sentido crítico e independência de pensamento entre a nossa população e isso origina a triste situação relatada no artigo. Se o cão sempre é um animal irracional, então é errado dizer que ele matou a criança. Quanto muito foi causa da sua morte. Ao inferir que este matou a criança estamos a implicar que este fez um gesto autónomo e ponderado. Os humanos matam: pensam, reflectem e planeiam a morte da vítima. Os animais reagem, ou para se defender ou para se alimentar. Afinal qual seria o objectivo de abater o animal? Impedir que ele assassinasse mais alguém? Mas isso implica mais uma vez gestos premeditados, algo que supostamente devia ser restrito apenas a nós humanos. Das duas uma: ou se conclui que o animal apenas reagiu em defesa própria ou então que realmente foi capaz de estabelecer um raciocínio que levou ao homicídio premeditado da criança. Mas se decidirmos pela segunda hipótese então temos que necessariamente considerar os restantes animais como racionais e agir legalmente nesse sentido.
    Infelizmente os cães, e em particular os abrangidos por esse estatuto aberrante de “potencialmente perigosos”, sofrem do mesmo problema que os tubarões, os crocodilos e o cannabis: por ano morrem mais pessoas por ingestão de amendoins e morangos (alérgicos entenda-se) do que por estes quatro elementos combinados. E quando morre efectivamente alguém, normalmente é numa situação perfeitamente evitável. Mas os media (cinema incluído) amplificaram de tal forma a perigosidade destes seres que a maioria das pessoas morre de medo de pitbulls, quando têm muito mais probabilidades de morrer de ataque cardíaco ou de cancro do pulmão. Em vez de temerem os cigarros e os enchidos, andam a fugir de animais que, na maioria das vezes, nem lhes ligam nenhuma. O provincianismo tacanho e conservador de Portugal no seu melhor..

    • Excepcional !!
      É isto que devia ser discutido, analisado e pensado por aqueles que metem na cabeça das pessoas o terror por seres inofensivos, cuja reacção é apenas para se defenderem, proteger o seu território ou se alimentarem.
      Parabéns, Ricardo

  3. Gostei do artigo e estou completamente de acordo. Nao sao os animais que sao perigosos, sao as pessoas.

  4. Faço minhas as palavras da PRÓTOURO e do Carlos Ricardo.

    No nosso país as palavras de ordem mais utilizadas quando se trata de animais não humanos é TORTURAR E MATAR. Por aqui se vê a mentalidade predadora do “homem” que se diz “humano e racional”, e não passa de uma besta humana.

  5. Para além de estar completamente de acordo com este artigo, gostava de pôr à consideração de “certas” pessoas o seguinte:
    Normalmente, em casos de agressão por parte de um animal não humano, este é imediatamente abatido !!
    No entanto, se um de nós, no meio da rua, fôr atacado por outro humano e nos causar a morte, esse humano não é igualmente abatido, porquê ??
    É que, o humano que nos ataca é MUITO MAIS RESPONSÁVEL que um animal não humano !!!
    Claro que não concordo com esses abates, apenas quero chamar a atenção para a diferença de tratamento para atitudes semelhantes. E isso, apenas porque uns não TÊM VOZ PARA SE DEFENDEREM.
    Nestas condições, a condenação à morte de um animal não humano é UMA PURA COBARDIA e a maneira MAIS FÁCIL de resolver uma situação…

    Na luta para que estas situações acabem e na completa abolição das touradas, estou 100% com vocês.


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