Publicado por: protouro | 21 de Novembro de 2012

O Movimento Anti-Touradas em Espanha no Início do Séc. XX

O artigo foi escrito por Eduardo Andradas, historiador e poeta espanhol.
Esta é uma tradução livre do mesmo.

O movimento anti-touradas começou a organizar-se em Espanha no início do séc. XX, sobretudo na Catalunha e unido ao nacionalismo catalão. Estendeu-se posteriormente ao resto do Estado como postura moral ou de classe através do PSOE ou de intelectuais liberais.

Em 13 de Janeiro de 1901, teve lugar um comício anti-touradas multitudinário onde se destaca como orador principal o ex-deputado galego e republicano Tiberio Ávila. Nesse comício foi pedido às cortes espanholas a proibição das touradas ou quaisquer espectáculos de semelhante índole que implicassem o derramamento de sangue ou morte, lesão ou mutiliação de pessoas e animais.

Os alcaides de Figueras, San Sadurni, Vendrell e Cervera, bem como organizações tais como o Centro Marxista ou o Centro das Sociedades de Trabalhadores, deram o seu apoio.

Este comício volta a repetir-se em 10 de Fevereiro de 1905 no teatro Tivoli em Barcelona. A Comissão organizadora da assembleia, denominada comissão Abolicionista considerava o festejo anacrónico. Nesse ano a anti-tauromaquia estende-se para lá das fileiras do nacionalismo catalão e o académico Tomás Escriche Mieg proclama: “Vivam as boas tradições espanholas. Abaixo a bárbara e perniciosa tradição toureira”.

A agitação anti-touradas continua nesse ano com um festejo contra a chamada festa nacional no Ateneo Obrero de San Andrés, onde são recitados poemas e representados monólogos. Uma vez mais, é orador, o ex-deputado Tiberio Ávila membro da União Republicana.
Em 9 de Abril e 11 de Junho celebram-se novos comícios com a participação do socialista do PSOE e sindicalista da UGT Josep Comaposada e Daniel roig i Pruna do Progreso Autonomista da Catalunha.

Em 4 de Agosto em Barcelona e a 5 do mesmo mês em Sabadell tiveram lugar comícios contra touradas aos quais se une o partido conservador e catalão Lliga Regionalista.

Em 1913 a Liga Anti-touradas da qual é porta voz Manuel Casals Torres, dá várias conferências na Universidade, promovendo a cultura contra as touradas. No período de 1913 a 1915, a imprensa de direita lança uma campanha mediática contra o movimento abolicionista e assinala o fracasso desta junta e de Tiberio Ávila porque Barcelona em vez de possuir uma praça de touros, passa a ter três.

Nessa altura juntam-se à luta anti-tauromaquia o escritor socialista e republicano Eugenio Noel, o filósofo Miguel de Unamuno e o fundador do PSOE, Pablo Iglesias. Também nessa época, o Partido Socialista Obrero Espanhol, proibia os seus militantes de assistir a touradas. Conta Indalecio Prieto que quando jovem militou num círculo anti-touradas e que na agrupação socialista de Bilbao, foi expulso um destacado dirigente do partido socialista Félix Zabaleta pelos seus gostos tauromáquicos.

Outro anti-touradas é José Ferraras, ex-senador, deputado do Liberal Partido Constitucionalista e director do jornal Correo, o único jornal que não incluia notícias da festa nacional antes do séc. XX.

O liberal Gaspar Melchor de Jovellanos opõe-se às touradas por uma questão moral uma vez que delas não se obtem nenhuma educação. Os regeneradores espanhóis consideram-nas um atraso histórico espanhol. Para o PSOE é um assunto de classes que transforma a classe operária em marginais. O nacionalismo catalão interpreta-as como um acontecimento político alheio à nação catalã. Porém todos coincidem que é um acto cruel e indigno do ser humano para com outra espécie animal.

No anos vinte, para além do político e ético introduz-se o proteccionismo animal no debate sobre a tauromaquia com o nascimento da Federação Ibérica de Protectores de Animais e Plantas.

Durante a Guerra Civil espanhola ou guerra contra o fascismo do estado espanhol, nos meses de Julho a Outubro, na zona leal à II República, têm lugar algumas touradas de beneficência que se extinguem progressivamente até à sua desaparição total em todo o território. Tal deve-se a dois factores:

1º A maioria das ganadarias situavam-se em território dominado por franquistas e os principais toureiros tomaram o partido de Franco;

2º O sentimento anti-touradas por parte da esquerda a começar pelo presidente da República Manuel Azaña que não gostava de touradas.

O franquismo voltou a introduzir as touradas nas massas trabalhadoras, tal como os imperadores romanos o fizeram com o circo.

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Pelos touros em liberdade

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Responses

  1. “O franquismo voltou a introduzir as touradas nas massas trabalhadoras, tal como os imperadores romanos o fizeram com o circo.”
    Mais uma prova da natureza subversiva das touradas.
    As touradas, juntamente com o circo e todo o tipo de espectáculos degradantes, têm sido usadas ao longo da história por ditadores de direita como uma ferramenta para subjugar as populações. O efeito estupidificante que esta actividade provoca está bem patente no típico discurso aficionado: incoerente, inconsistente e sem qualquer tipo de argumentação plausível.
    A problemática das touradas transcende já a falta de respeito para com a vida animal: a luta contra esta barbárie inclui agora a defesa da saúde mental dos portugueses.
    Custa-me imenso ver crianças nas praças de touros, muitas vezes trazidas contra vontade por pais inconsciente e com o cérebro completamente corrompido pela ladainha do lobby tauromáquico. Em conjunto com o tipo de programas de tv que hoje em dia se vêm, temo pelas novas gerações..


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