Publicado por: protouro | 13 de Outubro de 2012

Mo Yan Novel Prémio Nobel da Literatura e Touradas

No mesmo dia em que era conhecido o nome do prémio Nobel da literatura, alguns jornais espanhóis apressaram-se em nos dar a conhecer o seu ponto de vista sobre as touradas.

O texto em questão nem sequer foi escrito recentemente, foi escrito em 2011 e lido no Instituto Cervantes em Pequim. Obviamente que o texto teria passado despercebido e nem sequer teria sido publicado, não se desse o caso do dito escritor ter ganho o prémio em questão.

Mo Yan, considera que as touradas são consideradas como um emblema cultural de Espanha e que teve conhecimento das mesmas ao ler Ernest Hemingway. Adianta que com a chegada da televisão teve oportunidade de ver uma tourada. Segundo ele é um espectáculo cruel e provocador, porém, também certamente belo. Quanto à polémica se deveria ser ou não proibido, considera que é um assunto do foro espanhol e que os estrangeiros não se devem intrometer. Mas como foi convidado a opinar sobre o assunto pelo Instituto Cervantes, lança a sua acha na fogueira e questiona-se sobre a essência do toureio que acha que é uma pergunta difícil de responder.

Segundo ele nas origens remotas do espectáculo, quando os homens deviam caçar para sobreviver, equipados com armas primitivas lutavam com o touro. Ou morria o touro para ser alimento do homem ou morria o homem que por sua vez se convertia em alimento de outra qualquer besta predadora. O toureio já não tem a ver com a sobrevivência, mas sim com a diversão e o contentamento morbo das pessoas e como tal aboli-lo seria razoável. Porém, não deveriam ser só as touradas que deveriam ser abolidas, mas também, as lutas de galos, lutas de cabras e lutas de grilos. Esses espectáculos que não supõem uma luta entre o homem e o animal, podem parecer ainda mais odiosos. O toureio pelo menos põe em jogo a vida do homem enquanto que nas outras lutas citadas, o homem faz uso da sua inteligência preversa para acirrar os animais uns contra os outros sem que ele corra qualquer risco.
E adianta que também se deveriam proibir os combates de boxe.

E a modos de conclusão, refere que sendo chinês, para ele tanto se lhe dá que seja proibido ou não, mas para os espanhóis é uma questão sensível. Porque na verdade, tem um conteúdo cultural e como dizem, poderia considerar-se um património cultural de Espanha.

Uma no cravo outra na ferradura, este é daqueles que querem estar bem com deus e com o diabo. Tipo, pois eu acho que é preverso, mas prontos que sei eu, eu sou chinês e não me devo intrometer nos assuntos dos outros países e etc.

É deveras lamentável que alguém aceite o frete de escrever um artigo para um instituto que mais não faz que promover touradas pelo mundo fora, especialmente quando não percebe nada do assunto e afirma que os seus conhecimentos se resumem a ler Hemingway, ver umas pinturas e assistir a uma tourada na televisão.

É caso para dizer que mais valia que se calasse e não aceitasse o convite dispensandos-nos assim de ler o que escreveu.

Prótouro
Pelos touros em liberdade

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